quinta-feira, 2 de julho de 2009

Leite quente?

Uma pessoa que me ensinou e continua me ensinando muito é meu querido pai. Aos que ainda os tem, ouçam-nos! Muitas vezes são conversas repetidas, mas sempre podem ser vistas por um ângulo novo, um aprendizado novo.
Quando eu estudava meu ensino fundamental, se não me engano na segunda série do mesmo, mamãe já lecionava Matemática na mesma escola. Portanto, eu estudava devido a uma bolsa integral de estudos pelo fato de ser filho de funcionário. Nessa época, eram oferecidas atividades extraclasse em período integral para alunos que se interessavam em ficar na escola no mesmo período. Como mamãe dava aulas no período matutino e vespertino, ela inscreveu-me e também minha irmã nessas atividades. Porém, estudávamos no período da tarde, logo participávamos dessas atividades no período matutino. Dentre as várias atividades que os coordenadores do programa nos proporcionavam fazer estava a tal da natação. Eu nadava bem e até hoje nado, ou melhor, não morro afogado! Mas o que me aconteceu não está intimamente relacionado com a natação em si, mas sim ao LEITE. Sim, o leite que eu tomava toda manhã antes de ir para a escola. Aquele leite esquentado no microondas com chocolate.
Essa rotina nunca havia me causado problemas, até que um dia culminou. Eu estava nadando naquela piscina linda e de água gelada (uma tremenda sacanagem colocar uma criança que nem eu em uma piscina de água ambiente às 7h da manhã) até que meu intestino resolveu iniciar uma revolução geral. As dores eram exorbitantes. Parecia que o "Alien - Oitavo Passageiro" estava brotando de minhas tripas. Tudo bem, consegui conter aquele protesto todo.
Terminei a aula de natação e fui tomar banho e me trocar. Aí que errei. Eu coloquei a única cueca que existia em minha mochila de roupas.
Fui levar minha vida de criança estudante. Até que os revolucionários reiniciaram os protestos. Eu estava me contorcendo mais que Daiane dos Santos nos solos de ginástica olímpica. Aí tive que tomar providências. Imagine minha situação: uma criança de aproximadamente 7 anos ter que tomar providências rápidas de entender que meu intestino grosso tinha aproximadamente um metro de comprimento e que após ele já estava a linha de chegada (reto) daquela carreata que protestava dentro de mim.
Corri! Corri o mais que pude em direção ao banheiro mais próximo, mas não bastou. Não sei se eu não corri rápido o suficiente ou se foi o fato de a velocidade ter sido demasiada a ponto de ajudar a empurrar a passeata até a linha de chegada. Só sei que ficou quente! E um tanto mal cheiroso!
Perda de memória ocorrem quando acontecimentos muito marcantes são vividos em nossas vidas, como fortes acidentes e como este aqui. Se passaram minutos ou horas? Eu não sei. Só o que me lembro é de estar sentado na entrada da escola, com uma calça que não era minha (pois os inspetores tiveram que me vestir com uma calça de alunos que esqueciam roupas na escola e eram guardadas) e detalhe: sem cueca!
Naquele chão eu esperava meu pai ir me buscar, pois ligaram para ele alegando que eu estava passando mal.
Meu pai chegou com sua Kombi amarela. Levantei-me. Caminhei puxando o carrinho com meu material escolar. Ele abriu a porta da Kombi. Entrei. Sentei. Olhei para o assoalho do carro.
Papai, com sua sabedoria e um sarcasmo exuberante, indagou-me:
- Tudo bem?
Claro que não estava bem. Eu tinha vivido uma das piores experiências da vida. Tão pequeno. Estava sem cueca. Com uma calça de um desconhecido. E, é claro, eu estava FAMOSO na escola.
- Tudo...
Eu vi e nunca me esqueci do sorriso que com o canto dos meus olhos eu vi se abrir no rosto de meu pai!
O que ele me ensinou? A rir da vida!
Naquele dia e no decorrer da semana nenhuma revolução ocorreu novamente! Hoje, muitos anos já se passaram e depois de vivenciar várias vezes a mesma revolução só que sabendo contê-la, eu descobri que meu problema é o LEITE. O LEITE QUENTE!