quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Férias. Praia. Japoneses.

Minhas férias de final de ano eram muito excitantes, eu passava várias horas vendo os filmes inéditos anunciados pela Globo. Os que eu mais gostava eram os da saga "Esqueceram de mim", com Macaulay Culkin. Ainda hoje me mato de rir quando assisto a eles. Sem contar que as atenções eram voltadas para os grandes banquetes das festas de fim de ano que eram feitas na nossa família, logo eram frequentes as visitas aos supermercados e também existiam as visitas aos shoppings, para comprar os presentes de Natal. Mas houve um ano em que os planos mudaram. Depois de desfrutar as festas de fim de ano, papai e mamãe decidiram que era a hora de mostrar o mundo para mim e minha irmã. Mostrar que existiam coisas bem melhores que a piscina de lona que haviam nos dado para nos ocupar em dias ensolarados. Mamãe era professora e estava de férias no mês de janeiro e papai havia conseguido adiantar uns dias de férias para podermos combinar de fazer uma viagem em família. Resolveram convidar alguns amigos de trabalho de mamãe, no caso foram três professores, a Clélia, professora de inglês, o Zé, que não sabia dirigir (coisa que eu, ainda pequeno, achava um cúmulo, pois todos os homens deveriam saber dirigir) e a Rita. Para onde iríamos? Para a praia! Tudo bem, eu não tinha idéia do que era praia. Areia para mim era somente aquela que o pedreiro misturava com água e cimento para levantar os muros de nossa casa e água era aquela tratada com que eu enchia a piscina de lona para me transformar no sereio que minha irmã tanto admirava e minha tia tanto lembra até hoje. Papai e mamãe se encarregaram de comprar todos os utensílios necessários para a viagem, combinarem com os amigos e zarpar de São José do Rio Preto. Naquela época tínhamos uma Belina cinza. Na madrugada de um determinado dia saímos de casa e fomos encontrar os amigos de mamãe que iriam com o Gol 1000 branco da Clélia. Pegamos estrada.
Era uma viagem longa, mas eu não reparei, muito menos minha irmã, pois não tínhamos a noção de espaço e distância suficientemente desenvolvidos. Fomos brincando a viagem inteira. Naquela época eu tinha meu boneco do Jaspion que eu usava para lutar com as bonecas Barbie e Susi de minha irmã.
Passamos por várias cidades estranhas, diferentes, uma delas possuía várias fábricas, muita fumaça e tinha nome estranho: Cubatão. Mamãe até fez uma brincadeira quando passamos por ela: Quando vamos para a praia passamos por CUBATÃO e quando voltamos da praia passamos CU BATÃO NO CU. Na época eu não entendi. Foram trocadilhos tais quais as letras das músicas dos Mamonas Assassinas e a música Cumade e Cumpade da dupla Leandro e Leonardo. Coisas que eu sempre dizia a cantava e que só depois de no mínimo cinco anos fui refletir e entender o que significavam.
Estávamos indo em direção ao Guarujá. Havíamos alugado um quarto em um hotel perto da praia e passaríamos cerca de uma semana desfrutando do que eu iria conhecer, o mar.
Chegamos!
Ainda era tarde e tinha sol suficiente para meus pais e seus amigos decidirem dar uma passada na praia. Eu não sabia a relação entre TER SOL e IR A PRAIA até que eu vi o que era a praia. Eu vi uma areia branca e vi o mar, vi o que eram ondas e entendi como os surfistas faziam e vi muita gente estranha.
Aqui tenho que fazer uma pausa para uma explicação. Nessa época eu era fissurado por assistir aos episódios de Arquivo X que passavam na Record. Era fanático pelo Fox Mulder e pela Dana Scully. I WANT TO BELIEVE. E por isso eu sabia da existência de humanos e não humanos, a classe que até então eu chamava de E.T.
Pois bem, quando chegamos eu me impressionei com aquela beleza da natureza litorânea, porém uma outra coisa me chamou muita atenção, uma coisa que era nova para mim. Dirigi-me a meus pais e aos seus amigos com um ar de intelectualidade e descobrimento e exclamei em alto e bom som:
"Nossa, aqui tem mais JAPONÊS que humanos!"
Claro, eu era criança e não sabia até então que existiam pessoas com visão widescreen.
Eu havia descoberto o litoral. Eu havia descoberto o ORIENTE e os ORIENTAIS.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A história da tia Adriana

Não sei quantos anos eu pulei nas estórias, mas nessa aqui estamos morando em uma edícula no fundo da casa de meus avós maternos. Minha mãe possui dois irmão, chamados Ricardo (o filho do meio) e o Jefferson (o caçula). Nesse tempo em que compartilhávamos o terreno da casa de meus avós meu tio Ricardo começou a namorar uma moça. Até então eu não tinha a mínima idéia do que era namorar e o que isso interferiria na minha vida. Pois bem, um belo dia essa moça foi visitar a casa de meus avós e eu estava lá. Tudo bem, eu já tinha visto mulheres na minha vida, mas bateu uma vergonha extrema. Aquela moça foi entrando na casa e eu fui entrando debaixo da primeira cama que eu encontrei pela frente. Ora pois, o que isso mudaria minha vida? No dia seguinte continuaria a passar 'Rá-Tim-Bum', 'Glub-Glub', 'O Mundo de Beakman', 'Castelo Rá-Tim-Bum' e principalmente 'Power Rangers', ela não estaria ali e minha vida continuaria. Mas ela foi atrás de mim e ela me achou. 'Oi, tudo bem?'. 'Aham'. Eu não tinha noção de como uma família se iniciava e aumentava. Ali entrou uma nova pessoa na nossa família. Depois de um tempo a afeição já foi sendo criada e ela virou a Tia Adriana e com essa tia vivi uma história que até hoje é lembrada por ela mesma nas refeições familiares nos finais de semana.
Lá vai a prosa.
Meus pais haviam comprado uma daquelas piscinas de 1000 litros de lona azul e sempre que esquentava um pouco já a armávamos no quintal, a enchíamos e perdíamos horas e horas cansando. Numa dessas olimpíadas estávamos eu e minha irmã a competir nos 2 metros bem rasos (rasa estava a piscina) e minha tia sentada em uma cadeira de madeira ao lado da piscina tomando conta dos pentelhos. Quando me empolguei e me imaginei Fernando Scherer eu dei um super impulso em uma das laterais da piscina e fui completar aquele longo percurso de aproximadamente dois metros de extensão todo completamente embaixo da água, ou seja, sem respirar. Parênteses: aceitem o fato que na minha idade aquilo era uma conquista inimaginável. Eu já poderia me inscrever para as olimpíadas. Nem Superman, que inverteu a rotação da Terra e voltou no tempo para salvar Lois Lane, poderia ter reproduzido tal feito. Mas existia uma pessoa que quis fazer um comentário a altura dos comentários de Galvão Bueno: minha irmã, Carolina. 'Olha tia, meu irmão parece um SEREIO'. Tudo bem Carolina, eu me esforçei e realizei um feito inédito nessa hora, mas, seja lá o que for um SEREIO, não foram as pernas juntas nem as escamas que me proporcionaram tal recorde.
Eu sei que essa história não sai da memória da minha tia e da nossa também e é motivo de muitas risadas quando relembrada. Abraços tia Adriana.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Leite quente?

Uma pessoa que me ensinou e continua me ensinando muito é meu querido pai. Aos que ainda os tem, ouçam-nos! Muitas vezes são conversas repetidas, mas sempre podem ser vistas por um ângulo novo, um aprendizado novo.
Quando eu estudava meu ensino fundamental, se não me engano na segunda série do mesmo, mamãe já lecionava Matemática na mesma escola. Portanto, eu estudava devido a uma bolsa integral de estudos pelo fato de ser filho de funcionário. Nessa época, eram oferecidas atividades extraclasse em período integral para alunos que se interessavam em ficar na escola no mesmo período. Como mamãe dava aulas no período matutino e vespertino, ela inscreveu-me e também minha irmã nessas atividades. Porém, estudávamos no período da tarde, logo participávamos dessas atividades no período matutino. Dentre as várias atividades que os coordenadores do programa nos proporcionavam fazer estava a tal da natação. Eu nadava bem e até hoje nado, ou melhor, não morro afogado! Mas o que me aconteceu não está intimamente relacionado com a natação em si, mas sim ao LEITE. Sim, o leite que eu tomava toda manhã antes de ir para a escola. Aquele leite esquentado no microondas com chocolate.
Essa rotina nunca havia me causado problemas, até que um dia culminou. Eu estava nadando naquela piscina linda e de água gelada (uma tremenda sacanagem colocar uma criança que nem eu em uma piscina de água ambiente às 7h da manhã) até que meu intestino resolveu iniciar uma revolução geral. As dores eram exorbitantes. Parecia que o "Alien - Oitavo Passageiro" estava brotando de minhas tripas. Tudo bem, consegui conter aquele protesto todo.
Terminei a aula de natação e fui tomar banho e me trocar. Aí que errei. Eu coloquei a única cueca que existia em minha mochila de roupas.
Fui levar minha vida de criança estudante. Até que os revolucionários reiniciaram os protestos. Eu estava me contorcendo mais que Daiane dos Santos nos solos de ginástica olímpica. Aí tive que tomar providências. Imagine minha situação: uma criança de aproximadamente 7 anos ter que tomar providências rápidas de entender que meu intestino grosso tinha aproximadamente um metro de comprimento e que após ele já estava a linha de chegada (reto) daquela carreata que protestava dentro de mim.
Corri! Corri o mais que pude em direção ao banheiro mais próximo, mas não bastou. Não sei se eu não corri rápido o suficiente ou se foi o fato de a velocidade ter sido demasiada a ponto de ajudar a empurrar a passeata até a linha de chegada. Só sei que ficou quente! E um tanto mal cheiroso!
Perda de memória ocorrem quando acontecimentos muito marcantes são vividos em nossas vidas, como fortes acidentes e como este aqui. Se passaram minutos ou horas? Eu não sei. Só o que me lembro é de estar sentado na entrada da escola, com uma calça que não era minha (pois os inspetores tiveram que me vestir com uma calça de alunos que esqueciam roupas na escola e eram guardadas) e detalhe: sem cueca!
Naquele chão eu esperava meu pai ir me buscar, pois ligaram para ele alegando que eu estava passando mal.
Meu pai chegou com sua Kombi amarela. Levantei-me. Caminhei puxando o carrinho com meu material escolar. Ele abriu a porta da Kombi. Entrei. Sentei. Olhei para o assoalho do carro.
Papai, com sua sabedoria e um sarcasmo exuberante, indagou-me:
- Tudo bem?
Claro que não estava bem. Eu tinha vivido uma das piores experiências da vida. Tão pequeno. Estava sem cueca. Com uma calça de um desconhecido. E, é claro, eu estava FAMOSO na escola.
- Tudo...
Eu vi e nunca me esqueci do sorriso que com o canto dos meus olhos eu vi se abrir no rosto de meu pai!
O que ele me ensinou? A rir da vida!
Naquele dia e no decorrer da semana nenhuma revolução ocorreu novamente! Hoje, muitos anos já se passaram e depois de vivenciar várias vezes a mesma revolução só que sabendo contê-la, eu descobri que meu problema é o LEITE. O LEITE QUENTE!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Carta ao Papai Noel

As comemorações de Natal de minha família eram sempre uma das minhas festas favoritas. Sempre gostei de reuniões familiares. Nelas todos alegravam-se e sempre aproveitavam para aguçar ainda mais minha timidez fazendo brincadeiras comigo. Parte de minha família paterna se encontrava, e se encontra até hoje, em Foz do Iguaçu. Já a parte materna, na minha cidade natal. Portanto fazíamos a divisão noturna. Sempre íamos à Missa do Galo e após isso nos reuníamos na casa de minha avó materna para devorar a Ceia de Natal. Passada a meia noite, onde nos reuníamos no quintal, todos de copo em mãos, brindávamos o dia e nos abraçávamos desejando Feliz Natal, eu corria procurar onde o tal do Papai Noel havia deixado os presentes (nessa época eu ainda não havia descoberto que o velho não existia, mas isso é outras estória e por sinal, bem dramática) e os abría desesperadamente. Após acalmar meu êxtase, iámos para a segunda parte da comemoração nos juntando aos meus parentes paternos, que sempre se reuníam na casa de minha avó paterna. Lá era diferente, eu era outra pessoa. Na minha família materna eu não tive primos, até 2000, quando nasceu o primeiro e único, até então. Logo, nessa época eu era paparicado pelas tias e tios. Agora na parte paterna (onde meu pai tinha 9 irmãos) era diferente. Eram muitos os primos! Existiam primos mais velhos e primos mais velhos sempre acabam por contribuir para que os mais novos cresçam, de certa forma, traumatizados. Portanto, eu tinha uma tática. Era infalível! Eu entrava mudo e saía calado! Brincar? Pra quê? Eu queria poupar minha vida!
Bom, mas o cerne da estória não eram bem as festas natalinas, mas sim os presentes que ganhava! Eu sempre enviava cartas ao tal Papai Noel e eu nunca consegui pegar esse velho entregando os presentes! O ancião era ágil! Naquele natal, era a febre do momento entre os garotos os tais carrinhos de controle remoto. Logo, não medi esforços de pedir um ao Papai Noel. Na hora em que vi os presentes todos ao pé da árvore de Natal eu simplesmente me atirei e procurei o mais rápido possível o meu troféu! E ali estava ele! Um carrinho lindo, por sinal! Sim, eu já me via na rua, na manhã seguinte, todo esnobe exibindo meu novo carrinho de controle remoto a todas as crianças que ali passassem. Vou abrir logo essa caixa, pensei eu. Assim o fiz. Quando retirei as tais peças de isopor, que tanto complicam a vida de uma criança na minha situação de pressa, a ponto de sempre ter que pedir ajuda aos tios ou pais. Aliás, aproveitando para lembrar que pior que as peças de isopor eram os pedaços de fita adesiva que usavam para embrulhar os presente. Para procurar a pontinha e arrancar aquela ferramenta de lá era sempre um trabalho problemático. Não sei porque o velho lá do pólo norte não usava cola Tenaz, seria bem mais fácil! Tudo bem, voltando! Então, retirei as peças de isopor e ali encontrei meu carrinho! Peguei-o na mão e logo reparei que ele estava atado a alguma coisa. Um fino fio preto saía da parte traseira do meu carrinho de controle remoto. Fui seguindo a olho onde aquele fio ia dar! Quando acabou o fio preto, eu descobri que não encontrara o pote de ouro do meu arco-íris, mas sim vi a menina que comia areia (aquela da segunda estória) devorando agora toda minha alegria e euforia por meu carrinho. Aquele fio estava ligado a um controle com dois botões, um escrito UP e outro escrit DOWN. Não era possível! O velho do pólo norte estava de brincadeira comigo! Não era aquele que eu havia pedido! Ou ele se confundiu ou então no pólo norte não era transmitida as propagandas da ESTRELA, pois era nela que eu via um garoto com um controle gigante nas mãos, com funções demasiadas, e pilotando seu carrinho a quilômetros de distância do mesmo! Não correndo atrás dele para que o fio não esticasse e provavelmente quebrasse! E o carrinho do menino da ESTRELA fazia curvas! Pelo pouco que eu entendia de inglês o meu só podia ir para frente e para trás! COMO? Olhei para todos na sala. Os que ali estavam me contemplavam com sorrisos nos lábios e com expressão de: "Olha o que o Papai Noel trouxe para você?!"; isso me deu outra visão do mundo. Aceitei o presente e logo saí brincando com ele. Hoje eu acho que havia perdoado o velho do norte, pois ele havia percebido o equívoco que cometeu e resolveu me conquistar enviando um par de pilhas que proporcionavam o movimento do carrinho. E isso deu certo! Eu logo alimentei-o com as pilhas e fui "passear" com meu carrinho na coleira preta. Para as curvas eu acabei arranjando um jeito. Eu dava-lhe pontapés, determinando sua direção!
Muito e muito tempo depois, quando eu descobri que a existência do sênil do norte era tudo conspiração dos adultos para com as crianças, eu fui descobrir também que meus pais estavam me achando um tanto quanto gordo na época e precisavam arranjar um jeito de me fazer exercitar-me! Sim, eles conseguiram!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ou vai assim, ou vamos embora!

Ainda nessa mesma escola em que se passou o episódio da pequena comedora de areia, como já dito, vivi muitas outras experiências maravilhosas! Ali eu me apaixonei sem ao menos saber o que era paixão; ali eu vi o Papai Noel, por mais feminino que ele fosse; conheci gente que come areia como arma secreta contra o mal que a cerca; até aprendi a passar flúor nos dentes e, de tão empolgado com a nova lição, acabei fazendo um 'xixo' nas calças por não querer parar de passar aquela meleca azul nos dentes e ir ao banheiro! Tudo bem, como muitas das crianças ainda não sabiam diferenciar um cheiro daqueles, acabei voltando para a sala de aula sem avisar ninguém do ocorrido até que tudo ficou seco antes mesmo do final do dia letivo! Porém, existe uma recordação na qual está novamente meu sábio pai, mais minha irmã, eu e muitos dos colegas de escola.
Ela se passava em um sábado, no qual a escola abriu para que os alunos pudessem se divertir na piscina da escola. Não me recordo se era alguma data comemorativa. Meu pai nos levou até a escola e quando chegamos lá tudo era maravilhoso! Meus colegas pulavam na piscina! Nela havia armada uma ponte de madeira daquelas que usavam nas provas do programa do Silvio Santos. Aquilo era um sonho! Porém, em ao menos três palavras de meu pai meu mundo desabou! Tudo que era claro e colorido tornou-se escuro e monocromático!
Trouxe sua sunga? - disse meu pai.
Claro, era esse o artifício necessário para desfrutar daquela maravilha azul que ali encantava meus olhos e eu não possuía esse elo de ligação entre o que eu julgava de meus campos elísios e o meu mundo mortal! Meu pai, percebendo que naquele momento aqueles dentes de leite que, ao entrar na escola a cinco minutos atrás, já não mais estampavam em um sorriso, propos: 'Vá de cueca!'.
Não! Definitivamente, não! Meu pai esquecera que eu ainda carregava a fama de rato branco? Imagina, eu de cueca! Expôr-me a todos assim? Não, eu não estava preparado para tanta dramaturgia!
Foi então que meus pés responderam por mim! Deram um passo para trás e para ajudar minha cabeça balançou negativamente repudiando a idéia que, para o meu pai, era trivial e genial!
Porém, meu pai não se contentou! Ele precisava ensinar-me algo mais. Nesse momento, só para aguçar mais meu desejo, minha irmã já estava mais enrugada que maracujá de gaveta, de tanto que já mergulhara. Assim disse meu pai: 'Ou vai assim, ou vamos embora!'.
Ora, como ele era rude e severo! Queria, em um momento singelo como aquele, com meus sentimentos à flor da pele, pôr-me a prova, fazer-me chantagens!
Ele venceu! Venceu com classe e um belo sorriso no rosto! Enquanto eu me despia eu não podia ver seu rosto! Ele olhara para os lados achando que eu me sentiria melhor. Mas tenho certeza que seu sorriso abrira-se tanto quanto o meu quando entrei na escola naquele sábado.
Ali estava, eu, o rato branco, de cueca BRANCA, pronto para entrar na piscina. Vem-me na memória agora uma cena do filme 'Energia Pura' (quem não conhecer procure por fotos na internet). Assim era eu, o ENERGIA PURA ao lado da piscina e pronto para desfrutar do meus campos elísio que acabaram se tornando um mármore do inferno se esquentando cada vez mais pela energia do sol. Sim, eu era esse sol, pelo menos tão claro quanto!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Bola de meia, bola de gude, bola de areia

Confesso que não é fácil lembrar histórias de infância; acaba sendo um exercício mental ou então um processo de aceitação e crença no que nossos pais ou parentes nos falaram. Dentre os muitos ensinamentos de meu pai, um dele foi um processo de edição cinematográfica de uma história de vida. Vou tentar explicar o que acabei entendendo do processo, pois acabei não sabendo se aquilo era apenas mais um sermão daqueles que todos os pais passam esperando de seus filhos atitudes futuras mais sábias, ou então se era simplesmente apenas mais um meio de me fazer ficar quieto sem que eu notasse.
Tudo gira em torno de fechar os olhos e não dormir e nesse ponto eu sempre tive problemas, mas continuemos. O que vinha em seguida exigia uma atitude de difícil decisão entre o bem e o mal. Um processo bem maniqueísta. Analisando esse ponto do processo, acabo aceitando que a atitude de meu pai era simplesmente para me fazer ficar quieto e de olhos fechados para que eu pegasse no sono mais rapidamente. Imaginem uma singela criança que até então só via "XUXA Park" ter que se atrelar a uma filosofia dualística! O bem e o mal eu só fui conhecer muito tempo depois quando começou a ser televisionado no Brasil o desenho "Power Rangers"!
Continuemos. O ponto fundamental do processo de edição de sua vida era a decisão do que era bom e o que era ruim para levar como lembrança para sua vida. O que fosse ruim era só cortar do "filme" e emendá-lo novamente só deixando as partes boas! Fácil! Simples! Pelo menos meu pai assim dizia! Confesso que até hoje quando tento refazer esse processo eu acabo encontrando pedaços que não cortei anteriormente. Daí eu acabo concluindo que acabei dormindo no meio do processo!
Recordando agora meu filme reeditado acabei deparando com uma parte monstruosa que pelo jeito eu havia dormido e não consegui cortar tal pedaço. Eu sempre fui um menino tímido, e assim o sou até hoje; vivia andando tal qual um paulistano solitário cantado por Zeca Baleiro, de cabeça baixa e torcendo para que ninguém fizesse contato visual comigo nem me perguntasse algo! Na pré-escola eu conheci várias pessoas e vivi inusitados momentos. Dentre eles está o de uma menina que tinha um vício. Mas o vício dela não era boneca, ou bambolê, ou qualquer outra coisa normal a idade de cinco anos de idade, era inovador!
Quando em um belo dia ensolarado, enquanto eu brincava no parque de areia da escola, essa menina se encontrava fazendo montinhos de areia embaixo de uma ponte de madeira construída para as crianças brincarem. Foi aí que um menino deixou-a nervosa com alguma brincadeira que eu não vi. O que vi foi o modo como a menina espantou a todos fazendo com que a deixassem em paz! Com a expressão da protagonista de "Exorcista" em seu rosto ela apanhou um punhado de areia com sua pequena mão direita, olhou para todos que se aglomeravam a sua volta e simplesmente se alimentou do punhado de areia que estava em sua mão!!!
COMO??? Eu até então não fazia idéia do porquê de ela ter feito aquilo, mas confesso que deu certo! Todos saíram de perto dela e a deixaram em paz! Cada um com seus meios de chegar à paz requerida!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Onde tudo começou!

Se este blog tem o intuito de apresentar algumas de minhas estórias, deveria eu começar pelo meu nascimento, mas confesso que não me lembro muito desse momento. Sempre tive a memória fraca, o que me causou muitos problemas com História, Geografia, Botânica e Zoologia, quando estudando em meu segundo grau.
Iniciarei, pois, de momentos que recordei com fotos de muitos anos atrás. Sei que nasci em São José do Rio Preto no dia 18/09/1987 na maternidade do hospital Nossa Senhora da Paz, e disso, acredite, não precise de fotos para saber. Minha mãe dizia não ter tido muitas complicações com minha gestação, só me dizia e diz até hoje que descobriu estar grávida de mim quando eu já estava com quase três meses completos de espera em seu útero.
Quando nasci, minha irmã já tinha um ano e vinte dias completos e já havia sido batizada, portanto já existiam seus padrinhos na estória. Logo após eu nascer, os padrinhos de minha irmã enviaram uma carta a meus pais dizendo que souberam do meu nascimento e queriam saber mais de mim. Para tanto, escreveram umas poucas palavras que muito me tocaram, despertando em mim uma espécie de desgosto mesclado com um chamado a um desafio. Ambos nem haviam me conhecido e não mediram esforços para escrever: "Mandem uma foto do ratinho branco do Matheus!".
Tudo bem, eu sei que nasci meio "brilhante"! Mas é uso intenso de talco para assaduras que mudou meu fenótipo e assim o sou até hoje.
Ainda tenho uma lembrança fotográfica de minha vã tentativa de pegar um bronzeado logo quando menino e aqui vai ela:


Tudo bem, eu sei que não deu certo! Mas eu tentei! Pelo menos até minha mãe me dar banho eu não era mais o rato branco que os tais padrinhos haviam mencionado.